A agricultura rende mais do que o desmatamento

Substituição da agricultura familiar de corte e queima pela agrossilvicultura sintropica em Guajará, Amazonas.

O desmatamento em Guajará é impulsionado por famílias de agricultores que não têm alternativas viáveis.

83% das propriedades rurais em Guajará cultivam a mandioca como cultura principal. Os terrenos ficam esgotados em dois a três anos. Quando isso acontece, as famílias desmatam novas áreas da floresta.

A renda média familiar é de cerca de R$ 750 por mês — 50% a menos do que o salário mínimo brasileiro. 30% dos produtores nunca frequentaram a escola.

A mandioca é o exemplo mais claro de um desafio mais amplo: solos esgotados, baixa renda e poucas alternativas.

As famílias cultivam dessa forma porque é o único modelo econômico ao qual têm acesso.

Recently cleared land in Guajará illustrating the cycle of deforestation driven by low-income cassava farming

Um modelo diferente

A agrossilvicultura sintropica substitui o ciclo de desmatamento.

As árvores são plantadas ao lado da safra final de mandioca. Após a colheita, culturas de crescimento rápido — feijão, banana, abacaxi — geram renda em um prazo de 12 a 18 meses.
Espécies de maior valor, como cacau, açaí e cupuaçu, surgem em três a cinco anos.

A mesma terra continua produzindo. O agricultor nunca precisa desmatar novas áreas florestais.

Syntropic agroforestry system combining food crops and trees on former agricultural land in the Brazilian Amazon

Como apoiamos a transição

Nossa abordagem baseia-se em cinco princípios fundamentais.
Farmers planting native and productive tree species as part of the IEUNI agroforestry transition programme

A terra permanece nas mãos dos agricultores.

Não compramos nem arrendamos terras. O agricultor continua sendo o proprietário de tudo o que cultiva.

As ideias vêm dos agricultores.

Apresentamos opções. Os agricultores decidem o que é melhor para suas terras, suas famílias e seu futuro.

Não há empréstimos para agricultores.

A IEUNI arca com todo o investimento inicial — sementes, materiais, instalação —, de modo que os agricultores não assumem nenhum risco financeiro no início.

O que os agricultores ganham é deles.

A IEUNI não retém nenhuma porcentagem, nenhuma comissão nem nenhuma taxa sobre a renda agrícola dos produtores.

A participação é voluntária.

O interesse genuíno e o compromisso por escrito vêm antes de qualquer plantio.

Oferecemos suporte contínuo.

Capacitação técnica, formação em gestão rural, orientação sobre escolha de culturas, momento ideal de comercialização e acompanhamento contínuo ao longo do desenvolvimento do sistema. Também orientamos sobre canais de venda e estratégias de precificação, permitindo que os agricultores obtenham margens que a mandioca nunca ofereceu. A transição é acompanhada de perto — o agricultor não enfrenta esse processo sozinho.

O Projeto-Piloto de 2026

Estamos trabalhando com 8 a 15 famílias para testar os pressupostos técnicos, econômicos e sociais do modelo antes de qualquer decisão de expansão.

Cada família começa com uma pequena área piloto — uma escala manejável para aprender e ganhar experiência antes de ampliar o sistema para uma parcela maior de suas terras nos anos seguintes.

Tree seedlings prepared for planting in the IEUNI agroforestry programme
Pilot agroforestry plot demonstrating the transition from conventional farming to long-term forest production

A preparação e a seleção dos agricultores ocorrem durante o primeiro semestre do ano.

O plantio ocorre no período entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027.

O manejo e o monitoramento continuam a partir de 2027.

Nossos parceiros

Forests4Farming

A Forests4Farming é uma organização sem fins lucrativos especializada em agrossilvicultura sintropica. Ela é parceira técnica do IEUNI no projeto piloto de 2026. A F4F contribui com sua expertise na seleção de agricultores, na elaboração de diagramas de plantio, em oficinas de instalação, em treinamento de manejo e na análise econômica por propriedade. O IEUNI é responsável pelas operações no terreno em Guajará; a F4F fornece a arquitetura técnica.

Associação de Agricultores de Gama

A Associação de Agricultores de Gama é uma organização agrícola consolidada em Guajará. Ela é a parceira local do IEUNI na região — apoiando a mobilização de agricultores e ampliando o programa para as redes agrícolas regionais das quais depende a mudança liderada pelos próprios agricultores.

Para onde isso vai dar

O projeto-piloto de 2026 é o início de algo maior. Nossa ambição para os próximos cinco anos inclui:

Escala.

Cerca de 500 hectares de agrofloresta sintropica em atividade em Guajará e 3.000 hectares de regeneração natural assistida em terras não utilizadas pelos agricultores.

Regeneração em conjunto com a agrossilvicultura.

Um segundo projeto-piloto de regeneração natural assistida — em que os agricultores mantêm a floresta em pé e as terras degradadas se recuperam nas mesmas propriedades onde suas parcelas agroflorestais geram renda.

Formação entre agricultores.

Agricultores já estabelecidos, capacitados e incentivados a atrair novas famílias — o caminho mais rápido e confiável para expandir em uma região onde a equipe de campo da IEUNI sempre será menor do que as oportunidades disponíveis.

Higher-value products.

Over time, IEUNI will help build local processing — fruit dehydration and similar — so higher-value products like cacao, coffee, honey and oils add value in the region rather than downstream, building farmer income.

Serviços ambientais.

O carbono e os pagamentos por serviços ambientais tornar-se-ão mecanismos complementares para sustentar o programa e ampliar as operações da IEUNI.

Um fundo rotativo.

Inicialmente financiado por subsídios e doações, e futuramente sustentado pela participação da IEUNI nos benefícios gerados pelos serviços ambientais, permitindo que o programa cresça sem depender de novos ciclos de financiamento.

IEUNI agroforestry specialist providing practical training to local farmers on regenerative agroforestry systems in the Brazilian Amazon.

A floresta que isso protege.

A agrofloresta reduz a pressão econômica pelo desmatamento, permitindo que a floresta ao redor das propriedades rurais permaneça em pé. No centro desse esforço está nossa reserva de conservação — uma referência viva e uma barreira contra o avanço do desmatamento para regiões ainda mais ao norte.

Trabalhe conosco

Estamos buscando parceiros — filantrópicos, institucionais e técnicos — para ampliar o alcance deste trabalho.

Se você tiver interesse em apoiar o projeto piloto de 2026 ou iniciativas futuras, entre em contato conosco.